quinta-feira, 5 de outubro de 2023

 PÍLULAS DE SAÚDE - TRATAMENTOS COMPLEMENTARES PARA O TABAGISMO (20/09/2023)

https://www.ativa.fm.br/ (link para o programa 23 - Tabagismo)

Olá, um grande prazer estar novamente com vocês, aqui farmacêutica JAQUELINE CAPELARI, para abordar hoje no nosso programa “PÍLULAS DE SAÚDE” sobre os tratamentos complementares para ajudar quem deseja parar de fumar, a se livrar do vício do TABAGISMO. Como já falei nos programas passados, o projeto “PÍLULAS DE SAÚDE” é um produto técnico do meu mestrado da faculdade de Medicina da UFRGS, chamado programa de pós-graduação em Ensino na Saúde (PPGENSAU) e tenho como orientadora a professora Fabiana Scheneider Pires e esse programa conta com recursos próprios para seu desenvolvimento.


Vício bastante difícil de largar, mas não impossível...

Nada é impossível para aquele que crê! Começo com essa frase, que no meu julgamento tem tudo a ver com a possibilidade que a pessoa tem de se libertar do tabagismo. Vamos falar um pouco sobre o contexto histórico de como surgiu o tabaco e como ele foi sendo inserido na nossa cultura ao longo dos anos.

O tabaco utilizado no fumo é uma planta chamada de Nicotiana tabacum, nativa das Américas. Acredita-se que o tabaco começou a crescer nas Américas por volta de 6.000 a.C. Há mais de 2 mil anos, os índios usavam o tabaco para curar feridas e aliviar dores. Além do uso medicinal, o tabaco era muito usado em rituais religiosos. Os líderes religiosos indígenas usavam a fumaça do tabaco para estabelecerem a comunicação com “espíritos”, com o “mundo espiritual” e obterem “poderes mágicos de cura” e “benefícios espirituais”.

No Século XV, Cristóvão Colombo foi presenteado com tabaco por nativos americanos, sendo posteriormente introduzido seu uso na Europa. Inicialmente o tabaco era consumido por nobres e o clero, conferindo status social aos seus usuários e a promessa de acesso ao “poder mágico” a ele conferido. Ao longo dos Séculos, o tabaco foi se popularizando, atingindo classes sociais menos privilegiadas, na forma de cigarro, cachimbo, charuto, fumo de corda. As indústrias do cigarro se tornaram gigantes em faturamento, usando estratégias de marketing para atingir o público feminino, adolescentes e crianças.

Em 1964, o Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos da América, publicou um documento baseado em mais de 7 mil artigos científicos que associam o cigarro ao câncer de pulmão e laringe em homens, ao câncer de pulmão em mulheres e como sendo a principal causa de bronquite crônica. A partir disso que começam as discussões de quanto o cigarro, o tabaco, o fumo são prejudiciais para a saúde humana.

Como se desenvolve o vício de fumar e quais substâncias estão presentes no cigarro?

Chamamos de vícios os maus hábitos, então existem diversos e variados tipos de vícios. Sendo que o hábito é aquilo que repetimos seguidamente em nossa rotina até virar automático, sem pensar. O mau hábito de fumar leva ao vício pelo cigarro. Já a dependência do hábito de fumar se deve ao fato do tabaco possuir uma substância chamada NICOTINA, sendo essa a principal responsável pelo efeito viciante do cigarro. A dependência da nicotina ocorre quando você precisa da nicotina e não consegue parar de usá-la. A nicotina é a substância química do tabaco que torna difícil parar de fumar e que produz efeitos agradáveis ​​em seu cérebro, mas esses efeitos são temporários. Então você pega outro cigarro e assim vai. A nicotina, presente em qualquer derivado do tabaco é considerada droga por possuir propriedades psicoativas, ou seja, ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, trazendo modificação no estado emocional e comportamental do usuário. Porém a Nicotina não é a única substância presente no cigarro, que chega a possuir mais de 4700 substâncias químicas, pasmem, nem eu sabia dessa quantidade, acreditava ser bastante, mas isso superou. A cada tragada, o fumante absorve essas mais de 4.700 substâncias tóxicas, entre elas: nicotina, alcatrão, monóxido de carbono (que sai dos escapamentos dos automóveis, extremamente tóxico), solventes como o benzeno, metais pesados (acetato de chumbo, cádmio, níquel), arsênico, amônia, formol, naftalina, pólvora, acetona, fósforo (P4 ou P6), xileno, agrotóxicos (DDT), substâncias radioativas (polônio 210 e carbono 14), e tantas outras.

É possível fumar e não viciar?

Com toda certeza não, pois o vício é o mau hábito repetido diversas e diversas vezes, aí algumas pessoas vão me dizer: “eu não fumo todo dia só nas segundas, quartas e sextas feiras...” Ok, agora tenta não fumar na segunda feira para ver se vai conseguir e como vai ficar. É uma questão de inteligência, se você sabe que fumar faz mal e mesmo assim começa a fumar pensando que vai conseguir se controlar e evitar o vício está completamente enganado. As alterações causadas pela nicotina no cérebro são altamente viciantes e deve-se evitar ao máximo o contato com o cigarro.

Outro mal que está se espalhando, principalmente entre os jovens é o cigarro eletrônico, o que dizer desse tipo de cigarro?

O cigarro eletrônico, também conhecido como e-cig, é um dispositivo eletrônico que vaporiza uma solução líquida contendo nicotina e outros aditivos. Apesar de ser proibida pela ANVISA a comercialização no Brasil, se encontra facilmente. O Embora o vapor produzido pelos cigarros eletrônicos possa parecer menos prejudicial do que a fumaça do tabaco convencional, ele ainda contém uma série de substâncias tóxicas e carcinogênicas. O líquido contém não apenas nicotina, mas também propilenoglicol e glicerol, que podem ser inalados e prejudicar os pulmões e vias aéreas. Embora inicialmente tenha sido promovido como uma alternativa mais segura ao cigarro convencional, a evidência científica sugere que os riscos associados ao uso de cigarros eletrônicos são muito graves. os cigarros eletrônicos apresentam riscos adicionais. O uso prolongado de cigarros eletrônicos pode levar a doenças respiratórias, doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental. Os cigarros eletrônicos também podem ser perigosos quando manuseados incorretamente, como o superaquecimento da bateria que pode levar a explosões e queimaduras. E também podem ser especialmente prejudiciais para jovens e adolescentes, que estão em desenvolvimento e são mais vulneráveis ​​aos efeitos negativos do tabagismo. O uso de cigarros eletrônicos pode levar ao vício em nicotina e aumentar o risco de futuros problemas de saúde relacionados ao tabagismo. Portanto, é importante enfatizar que, embora os cigarros eletrônicos possam parecer uma alternativa menos prejudicial ao tabaco convencional, eles ainda apresentam riscos significativos à saúde.

A melhor opção é evitar o uso de qualquer produto de tabaco e buscar ajuda para parar de fumar, se necessário. Quais terapias podem ser usadas para ajudar nesse sentido?

Antes de tudo, a pessoa precisa ter a vontade de parar, tem que ser uma vontade genuína, como aconteceu com a minha mãe, que parou de fumar depois de 40 anos sendo fumante. Depois então se procura por ajuda para complementar a vontade de parar de fumar.

O SUS disponibiliza os grupos de Tabagismo para quem tem o desejo de parar de fumar, a cada tempo, se fazem os encontros para ajudar as pessoas a se libertarem do hábito de fumar, e também são disponibilizados os medicamentos e adesivos de nicotina para o tratamento.

Não existe meio fácil de parar de fumar, existe uma caminho que a pessoa deve começar a trilhar e buscar ajuda, profissional e familiar.

Comportamentos que podem ajudar nesse momento:

- Praticar exercícios físicos para aliviar a tensão e o estresse

- Evitar os ambientes que costumava frequentar e que possuem muitas pessoas fumando

- Evitar tomar bebidas alcoólicas e diminuir o café, pois esses hábitos muitas vezes estão associados ao cigarro;

- Lembrar sempre do seu propósito de deixar de fumar, algo que realmente mexa com a sua emoção. Pode até deixar um cartaz com figuras que mostrem como é uma vida sem cigarro e outras figuras mostrando as pessoas viciadas no tabaco e o fim de suas vidas, figuras que choquem realmente, iguais ou piores aquelas que tem no verso das carteiras de cigarro.

- Começar a fazer meditações, de 5 minutos para visualizar uma vida livre do cigarro

- Uso de alguns fitoterápicos como: Balas de gengibre e o próprio chá de gengibre, o chá de cardamomo (tem em casas de produtos naturais), uso de florais específicos para os vícios, nas farmácias de manipulação você encontra uma infinidade destes florais.

- Sessões de hipnose podem ajudar muito nesse processo, para reprogramar o cérebro para rejeitar o cigarro.

- Acupuntura e Auriculoterapia são ótimas ferramentas que podem ser utilizadas também na questão emocional de parar de fumar, inclusive temos protocolos já testados de pontos que auxiliam nesse processo.

- Aromaterapia, uso dos óleos essenciais: óleos essenciais que ajudam no equilíbrio do sistema emocional principalmente entre eles: LANVANDA, OLÍBANO e o MIX BALANCE da DoTerra, uso aromático, inalando 1gota 3x ao dia, ajudam no alívio da ansiedade ajudando a parar de fumar.

E hoje era isso que tínhamos para conversar, vamos ficando por aqui, semana que vem vamos conversar sobre tratamentos que ajudam a combater a ansiedade, provavelmente falaremos em dois programas também. Lembrando que se você tiver alguma dúvida, alguma sugestão ou curiosidade pode mandar pra nós que vamos ao longo dos programas respondendo e conversando. Muito obrigada pela oportunidade, uma ótima semana a todos e até a próxima quarta-feira com o nosso programa “PÍLUAS DE SAÚDE”.

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